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Aug 14 2011 09:10am
As visões de Fátima
O caso de que quero tratar ocorreu na pequena aldeia portuguesa de Fátima. O que aconteceu aí? Os pequenos pastores Jacinta, Francisco e Lúcia presenciaram, no ano de 1917, ao todo sete aparições de Maria - todas as vezes do dia 13 de maio até outubro.

"Quero que vocês venham aqui no dia 13 do próximo mês!" , ordenara a aparição às três crianças de Fátima. A Madona então aparecia pontualmente no local combinado. Naturalmente - e que criança não o faria? - os três, entusiasmados e vivazes, contaram a respeito de suas visões. Durante o verão e o outuno de 1917 eles foram o acontecimento em Portugal.

A princípio apenas as três crianças pastoras eram o centro das comunicações, mas isso durou pouco. No dia 13 de cada mês, intermináveis caravanas de peregrinos entravam em Fátima. Segundo notícias confiáveis, no dia 13 de outubro de 1917 cerca de 70.000 a 80.000 pessoas esperavam por um milagre no local das aparições. Ia valer a pena. O que eles iam ver não ia impressionar apenas as crianças. Chovia a cântaros, sendo as condições climáticas miseráveis para uma aparição de Maria, mas é claro que isso também fazia parte do gigantesco espetáculo. Repentinamente as nuvens se abriram, um pedaço de céu azul surgiu e o sol apareceu brilhando, mas não cegava. Iniciou-se o "milagre do sol de Fátima", e tudo o que relato aqui está nos arquivos do grande dia.

O sol começou a tremer e a oscilar, executou movimentos abruptos para a esquerda e para a direita e finalmente, com uma velocidade espantosa, começou a girar sobre si mesmo como uma rocha de fogo. Emitia cascatas de cor verde, vermelha, azul e violeta, mergulhando a paisagem em uma luz irreal. Sim, assim se disse, que não era coisa deste mundo. Dezenas de milhares de pessoas o viram, e testemunhas oculares afirmam que o sol ficou parado por alguns minutos, como se quisesse conceder um intervalo de descanso às pessoas.
Logo em seguida os movimentos fantásticos recomeçaram, inclusive o gigantesco fogo de artifício de luz flamejante. Observadores afirmaram que o espetáculo não poderia ser descrito com palavras. Após nova pausa, a dança do sol recomeçou uma terceira vez, tão gloriosa quanto antes. No total, o milagre do sol durou 12 minutos. Foi visto em uma área de 40 Km.

A cada aparição as crianças recebiam mensagens que Lúcia, a mais velha das três crianças - nascida a 22 de março de 1907 - , rabiscava num pedaço de papel. Todas as aparições eram anunciadas por "relâmpagos" cujas descargas elétricas estavam associadas a ruídos sussurrantes e estalos. Lúcia declarou na época que sempre que uma aparição se afastava ela ouvia um som como se "um rojão explodisse" à distância.

Durante a quinta aparição para as crinças de Fátima, em 13 de setembro de 1917, uns mil peregrinos e curiosos notaram nitidamente uma bola luminosa que lenta e majestosamente desapareceu no céu. Lúcia descreveu que a aparição da mãe de Deus frequentemente se aproximava "no reflexo de uma luz", e sempre as crianças viam somente a Madona quando o ponto de luz parava sobre o azinheiro. Quando durante o interrogatório perguntaram a Lúcia por que ela frequentemente baixava o olhar em vez de olhar diretamente para a Santa Virgem, ela respondeu: "Porque às vezes ela me ofuscava".

Já arrisquei em Aparições a supor que o espetáculo em Fátima teria sido uma demonstração de extraterrestres e escrevi: "É preciso livrar-se da idéia absurda de que aparições seriam um privilégio religioso". Nessa ocasião veio-me à mente uma reflexão decisiva que no entretempo foi pensada consequentemente até o fim pelo geólogo Johannes Fiebag em seu livro A Mensagem Secreta de Fátima.

Jacinta e Francisco morreram não muito tempo depois das aparições.

Lúcia entrou para um convento; tinha anotado as mensagens recebidas e as entregou ao bispo competente.
A terceira mensagem - segundo Lúcia - somente deveria ser divulgada pelo Santo Padre no ano de 1960. De fato, na época, esse "terceiro segredo de Fátima" foi entregue selado ao Papa Pio XII, que passou o manuscrito secreto ao Santo Ofício, "porque a Santa Virgem quer assim" (Lúcia).

Em 1959, um ano antes da data em que a carta selada deveria ser aberta, a revista Mensageiro de Fátima citou Lúcia: "...Eu não posso entrar em detalhes, pois ainda é um segredo... que somente pode ser conhecido pelo Santo Padre e pelo bispo de Fátima, e nenhum deles quer ficar sabendo para não se deixar influenciar... A mensagem deve permanecer em segredo até o ano de 1960..."

Em 1960 João XXIII era o senhor da Cúria Romana. A carta de Lúcia foi aberta no escritório do papa a portas fechadas. O tradutor era monsenhor Paulo José Tavares. Quando os dignitários deixaram as salas papais, seus rostos "pareciam terrivelmente assustados, como alguém que acaba de ver um fantasma". Abalado, João XXIII disse: "Não podemos revelar o segredo. Ele provocaria pânico".

É claro que desde então correm rumores. Murmura-se que o terceiro segredo de Fátima anunciara uma terrível catástrofe natural, talvez até mesmo uma terceira guerra mundial. A Igreja desmentiu tais rumores. O cardeal Ottaviani, que também conhecia a mensagem de Fátima, esclareceu em uma conferência de imprensa: "A única coisa que posso afirmar é que tudo o que circulou a respeito do segredo de Fátima não tem qualquer fundamento..." Em 30 de setembro de 1984 o semanário católico Bildpost publicou uma entrevista com o bispo da diocese de Leiria, Alberto Cosme do Amaral. Nela, ele disse:

"O terceiro segredo de Fátima não tem nenhuma relação com bombas atômicas e ogivas nucleares, nem com mísseis Pershing e SS-20, nada a ver com a aniquilação do mundo.
O conteúdo refere-se muito mais à nossa crença". O cardeal acrescentou ainda que haveria "graves razões" para a Igreja abster-se de divulgar o terceiro segredo de Fátima.

Para a Igreja Católica Romana, Maria é a "mãe de Deus". Isso é um dogma, proclamado ex cathedra (da cadeira papal) a partir da infabilidade do papa. É portanto uma contradictio in re, uma contradição em si mesma, que, apesar da ordem da mãe de Deus, de que o terceiro segredo de Fátima deveria ser participado à humanidade em 1960, ele tenha sido retido pelo Vaticano. No início de 1987, por ocasião das comemorações da Igreja para o ano mariano de 1987/88 e do próximo jubileu dos 2.000 anos do nascimento de Cristo, o papa João Paulo II acentuou o significado central da mãe de Jesus. Jesus é Deus, a Trindade do Pai, Filho e Espírito Santo. Esse Deus é atemporal, ele conhece o passado, o presente e o futuro. A mãe de Deus ordenou que o terceiro segredo de Fátima fosse divulgado no ano da graça de 1960, e no entanto o destinatário da mensagem recusa-se a executar a ordem. Deus todo poderoso não deveria ter previsto esse comportamento?

Devido a "graves razões" (bispo Amaral), o Vaticano recusa-se a divulgar a mensagem porque ela "provocaria pânico" (papa João XXIII). É uma atitude temerária a que tomo agora escrevendo aqui o que no meu entender poderia estar na terceira mensagem de Fátima:

"Em nome do espírito que tudo penetra, nós os saudamos, habitantes do planeta Terra! Vocês atingiram o limiar da tecnologia que propicia grandes transformações. Os homens ficarão inquietos, tensões e guerras perturbarão a concórdia entre os povos. Tudo o que vocês empreenderem, façam-no com atenção e respeito ao próximo, façam-no com modéstia e veneração diante do eterno espírito do universo. Combatam o ódio e a discórdia, evitem as guerras.
A guerra é o grande aniquilador, e seu mundo já foi frequentemente perturbado por guerras no passado. Saibam que vocês não vivem sozinhos no universo. Muitas formas de vida pertencem à grande família das galáxias. Preparem os homens para encontrar-se com outras formas de vida do infinito. Como prova da verdade desta mensagem, vamos mostrar a vocês no firmamento um grandioso espetáculo. Vocês ficarão sabendo que nosso poder não em desta Terra".

Enquanto a Igreja não revelar a terceira mensagem de Fátima, que a pequena Lúcia anotou juntamente com a data da divulgação - 1960 - , posso afirmar que o conteúdo - seu sentido - correponde ao meu rascunho. Seria de fato uma mensagem que chocaria, de que a Igreja dificilmente poderia dar conta, pois causaria um pânico entre os crentes. Pois, caso ela tenha um conteúdo semelhante a este, sua divulgação provaria que não foi a mãe de Deus que apareceu em Fátima.

O papa João XXIII, sob cujo reinado ocorreu a interdição da terceira mensagem de Fátima, em 1963 dirigiu-se aos crentes com a encíclica Pacem in terris (Para a confirmação da paz). João Paulo II viaja pelo mundo como nenhum outro de seus antecessores no trono de Pedro. No verão de 1986 ele - caso único na história da Igreja Romana - convidou os chefes de outras comunidades religiosas para orar e trocar idéias na Igreja de São Francisco de Assis. Teria o papa informado o Dalai Lama, o arcebispo de Canterbury e todos os príncipes da Igreja a respeito do futuro do mundo e daquilo que nos diz respeito, seu conhecimento quanto ao conteúdo da terceira mensagem de Fátima?

"Há momentos na vida do homem em que ele está mais próximo do espírito do mundo que em outros, e pode fazer uma pergunta ao destino."
Friedrich von Schiller (1759-1805).

Somos Todos Filhos Dos Deuses - Erich von Daniken
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