Censurado na Europa, filme com pedofilia está em festival no Rio
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Há muito tempo um filme não causava tanta polêmica. Por onde passou (ou tentou passar), "A Serbian Film: Terror sem Limites" --longa que o RioFan, festival de cinema fantástico do Rio, exibe no próximo sábado-- causou um grande barulho e chocou plateias e críticos.
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Sua ficha corrida fala por si: é o filme mais censurado dos últimos 16 anos no Reino Unido (só foi liberado para exibição após 49 cortes).
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Na Noruega, está vetado; na Espanha, rendeu um processo ao diretor do festival que o exibiu.
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Também teve problemas com a lei na Alemanha (onde o laboratório que fez as cópias as destruiu após se dar conta do conteúdo) e em seu país de origem, a Sérvia.
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"Isso tudo é espantoso para mim", diz o diretor, o estreante sérvio Srdjan Spasojevic, 35, à Folha.
"Estamos no século 21, seria de imaginar que tudo já foi dito e visto, mas de novo estamos vendo uma caça às bruxas porque alguém não gostou de um filme."
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Não que se possa culpar alguém por não gostar de "A Serbian Film". O longa tem incesto, pedofilia, necrofilia, violência a granel (incluindo dois assassinatos em que a arma é um pênis) e, em seu momento mais polêmico e chocante, o estupro de um recém-nascido.
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"Quando terminei de assistir, senti um mal-estar, fiquei pensando 'meu Deus, o que foi isso que eu vi?'", conta Raffaele Petrini, 26, o responsável pela distribuição do filme no Brasil.
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Dono de uma microdistribuidora maranhense criada neste ano, Petrini diz que pensava em lançar o filme apenas em DVD.
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As polêmicas internacionais, no entanto, o fizeram considerar uma distribuição nos cinemas --ele passou em festivais em Porto Alegre e em São Luís anteontem, e tem data de lançamento programada para 5 de agosto, apesar de ainda não ter salas previstas nem classificação do Ministério da Justiça.
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"Depois dos escândalos, assisti de novo, de modo objetivo, e vi que era um filme bom, apesar das cenas de violência. Ele é bem repugnante, mas não exalta a pedofilia nem a necrofilia."
METÁFORA"A Serbian Film" conta a história de um astro pornô aposentado que, por uma fortuna, aceita fazer um último filme, uma obra pornográfica com pretensões artísticas. Durante as filmagens, ele é drogado e forçado a cometer atrocidades sexuais.
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"A ideia básica era expressar meus sentimentos sobre minha região e o mundo em geral. Por isso, o protagonista é um ator pornô, como uma metáfora para qualquer profissão onde as pessoas são violentamente exploradas", explica Spasojevic.
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O diretor também afirma que seu filme é uma alegoria política --a história se passa na Sérvia, como o título indica, e tem referências pontuais às turbulências recentes do país.
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"Era inevitável ter esses elementos no filme. Cresci num período muito turbulento da Sérvia, com várias guerras durante minha infância, bombardeios da Otan. Como artista, fui inspirado por essas coisas, e elas não me inspiram a fazer nada bonito."
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Spasojevic não convenceu seus críticos, que o acusam de querer dar um verniz respeitável a um exercício sensacionalista e depravado.
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"É um pesadelo de horror pornô mal atuado e mal dirigido, que aspira a ser uma sátira do lado negro da Sérvia moderna", escreveu Peter Bradshaw no jornal britânico "The Guardian".
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Kim Newman, crítico da revista "Empire", foi mais ponderado. "Cabe ao público julgar se o elemento político do filme é uma justificativa espúria para um exercício cínico e chamativo de quebra de tabus --mas deve ser o público, não os censores, a tomar essa decisão."
http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/944851-censurado-na-europa-filme-com-pedofilia-esta-em-festival-no-rio.shtml nossa que tipo de doente mental faz um filme desses? >,< vtnc só tem loco nessa porra de mundo!!