SOROCABA - A Polícia Civil prendeu nesta sexta-feira, 13, mais três acusados de espancar brutalmente o metalúrgico Fabiano Dias Rodrigues, de 23 anos, na saída de uma boate, em Sorocaba. A vítima sofreu traumatismos múltiplos e continua em coma. O crime aconteceu na madrugada do dia 1º e as agressões foram gravadas pelas câmeras do estabelecimento. Dois dos acusados, Talisson Augusto Cleis, de 19 anos, e Alberto Gesteira do Nascimento, de 20, identificados através das imagens, foram apresentados à polícia pelos seus advogados. Também foi detido o menor L.D.M.M., que no próximo dia 22 fará 18 anos.
Cleis, que aparece com uma bermuda branca, era um dos mais violentos do grupo. Eles tiveram a prisão temporária decretada pela Justiça. Na quinta-feira, 12, o menor E.V.E.O., de 17 anos, já havia sido apreendido. Ele foi flagrado pelas câmeras pulando com os dois pés sobre a cabeça da vítima.
O delegado José Ordele Lima Júnior identificou outros dois agressores, Willy Rosi Athayde, de 18 anos, e Alton Fernando da Silva Fernandes, de 20, mas eles estão foragidos. As identidades dos outros agressores - no total são oito - também já são conhecidas.
Nesta sexta, o delegado ouviu também o segurança Delson Elias Correia, suspeito de ter se omitido no socorro à vítima. Correia alegou que estava no interior da boate e, quando saiu, o metalúrgico já tinha sido deixado estendido no chão pelos agressores. "O rosto estava muito deformado e não dava coragem de olhar", comentou.
A advogada Juliana Torres dos Santos, que assiste a família do metalúrgico, afirmou que a administração da boate também agiu com omissão. "As agressões começaram dentro do estabelecimento e os seguranças colocaram para fora não só os agressores, mas também a vítima, ou seja, praticamente a entregou aos bandidos." O advogado da boate, Joel de Araújo, disse que a briga ocorreu na rua, uma área pública, fora da responsabilidade do estabelecimento. "A segurança na rua é obrigação do Estado."
Família
A mãe de Fabiano, Sebastiana Dias Rodrigues, de 58 anos, prefere não pensar no que vai acontecer com os agressores do filho. "Isso é com a justiça divina. Peço a Deus que tenha misericórdia desses bandidos." Tudo o que ela faz é rezar para que seu "menino" consiga sair com vida do hospital. "Só penso nele, o tempo todo."
Os médicos já a avisaram sobre o risco de seqüelas permanentes, caso ele se recupere. "Rezo com toda fé para que ele viva, não importa como ele saia. Eu vou cuidar com muito amor." O filho, conta Sebastiana, estava de bem com a vida. "Ele tinha planos, estava cheio de sonhos. Queria fazer o Senac para trabalhar com a Isabela, irmã dele." A irmã, de 27 anos, tem um escritório de contabilidade.
Sebastiana conta que o filho era um menino quieto, na dele, não bebia, não fumava. Até recentemente, atuava como catequista na igreja do bairro, dedicada a Santo Antônio. A família mora numa casa simples, no bairro Árvore Grande, zona leste da cidade. Coincidentemente, os agressores moram na mesma região, mas eles não se conheciam. "Meu filho ia para esses lugares só para ouvir a música."
A mãe não conseguiu ver por completo as imagens da brutal agressão contra o filho mostradas na televisão. "Ela começou a passar mal, a pressão subiu. Tivemos que desligar a TV", conta o filho Clayton, de 25 anos, representante comercial. Ele espera justiça. "Que esses delinqüentes não saiam mais na rua."
Nesta sexta-feira, a família conseguiu que Fabiano fosse transferido do Hospital Regional, que é público, para o hospital da Unimed. Uma liminar do juiz da 4ª Vara Cível, José Carlos Metrovich, garantiu o direito ao plano de saúde que o metalúrgico tinha até recentemente, quando ficou desempregado. Ele continuava em estado grave, respirando com o auxílio de aparelhos.
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Detido menor que agrediu metalúrgico em Sorocaba
Notícia em 12 Junho,2008
SOROCABA - O menor E.V.E.O., de 17 anos, um dos principais agressores do metalúrgico Fabiano Dias Rodrigues, de 23 anos, brutalmente espancado por uma gangue na saída de uma boate, em Sorocaba, disse que a vítima apanhou “de graça”. O jovem, que já esteve internado na Fundação Casa (antiga Febem) em 2007 por tráfico de drogas, foi detido na quarta-feira, 11, à noite por policiais do 5º Distrito Policial. Ele aparece no vídeo desferindo chutes violentos no rapaz caído, antes de pular com os dois pés sobre a cabeça da vítima.
“A gente pensou que ele estava armado”, disse justificando o crime. “Depois vimos que ele tinha uma carteira na cinta.” Perguntado se a vítima tinha dado algum motivo para a agressão, respondeu: “Essa foi de graça.” Ele disse que viu os amigos brigando com o rapaz e resolveu bater também. “Meus amigos estavam pegando ele, aí eu entrei.” Ao delegado José Ordele Lima Júnior, que o interrogou na tarde desta quinta-feira, 12, o menor preferiu dizer que não conhecia os outros agressores. “Aparentemente ele está tentando proteger os outros”, disse o delegado.
Ele foi detido em sua casa, no bairro Barcelona, zona leste da cidade. Os policiais o encontraram dormindo. O menor negou o crime, depois tentou enganar os policiais que pediram que apresentasse as roupas que usava naquela noite, entregando um tênis e uma calça diferentes das que apareciam no vídeo. Numa busca na casa, os policiais encontraram a calça e o tênis manchados de sangue.De acordo com o promotor Antonio Farto Neto, curador da Infância e da Juventude, que também conversou com o menor, E. demonstrou frieza e não parecia abalado com a gravidade de sua conduta. “Ele pareceu bastante frio, preocupado apenas em saber se voltaria a ser internado.”
Nesta quinta, a Polícia Civil teve acesso à outra fita gravada das agressões. O vídeo mostra que dois seguranças da boate demoraram a prestar socorro à vítima. As imagens revelam que um dos agressores continuava no local, olhando o rapaz caído, quando os policiais do serviço de resgate chegaram. O advogado Márcio Leme, contratado pela família do metalúrgico pediu formalmente à polícia que apure crime de omissão de socorro por parte dos donos e seguranças da boate Soft. Segundo ele, a gangue costumava arrumar briga na boate e seus integrantes não tiveram a entrada barrada. “Os seguranças podiam ter impedido tamanha covardia.”
Um dos sócios da boate, Ricardo Mestre, disse que a agressão ocorreu na hora do fechamento do caixa, quando os funcionários e seguranças estavam no interior do estabelecimento. O socorro foi prestado assim que eles tomaram conhecimento da agressão. Amigos e familiares de Rodrigues disseram que ele não tem o hábito de beber, fumar e andar em grupos. De acordo com testemunhas, a gangue de E. já tinha se envolvido em outras brigas na boate. O delegado espera prender os outros agressores - são pelo menos sete - em alguns dias. Eles serão acusados de tentativa de homicídio, já que agiram com a intenção de matar. Rodrigues continuava em coma nesta quinta-feira, no Hospital Regional de Sorocaba, e seu estado era considerado muito grave. O Estado de S.Paulo
links das notícias
http://ultimas-noticias.org/2008/06/12/detido-menor-que-agrediu-metalurgico-em-sorocaba/ This post was edited by Izquierdo on Jun 15 2008 06:30pm